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Uso de cigarro eletrônico entre jovens preocupa e já provoca casos graves de pneumonia

Pesquisa revela que mais de 17% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram o cigarro eletrônico.

O uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens adultos tem crescido de forma alarmante no país, acendendo um sinal de alerta entre médicos e pesquisadores da área respiratória. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE/IBGE) revela que 16,8% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram o cigarro eletrônico. Entre adolescentes de 16 anos, esse índice sobe para mais de 22%. Essa popularização tem gerado consequências sérias para a saúde da população.

Segundo o médico Marcelo Rabahi, pneumologista do Einstein Goiânia, os dispositivos eletrônicos, muitas vezes vistos erroneamente como uma alternativa mais segura ao cigarro tradicional, podem provocar lesões ainda mais perigosas nos pulmões. ‘‘Isso ocorre porque as partículas inaladas são muito menores do que as do cigarro convencional, o que permite que alcancem mais rapidamente as regiões mais profundas dos pulmões, como os alvéolos”, comenta.

Além disso, o funcionamento do cigarro eletrônico envolve a vaporização de líquidos a temperaturas extremamente altas. Esse calor elevado, somado à profundidade de penetração das partículas, provoca uma lesão térmica direta no tecido pulmonar. Como os pulmões não possuem sensores de dor ou temperatura, o usuário não percebe que está sendo exposto a uma queima intensa, e muitas vezes maior do que a gerada pela fumaça da combustão do cigarro tradicional.

Segundo Rabahi, na prática clínica tem sido cada vez mais comum o atendimento de jovens previamente saudáveis com quadros graves de pneumonia pelo uso de cigarro eletrônico. “Esses casos têm características distintas das pneumonias tradicionais e estão associadas à inflamação aguda provocada pela exposição direta aos aerossóis quentes e às substâncias tóxicas presentes nos líquidos usados nos dispositivos”, detalha.

Diante desse cenário, é importante manter a atenção redobrada para sintomas respiratórios agudos, como falta de ar, dor no peito, tosse persistente e febre, em adolescentes e jovens usuários de cigarro eletrônico. “É fundamental que profissionais de saúde, educadores e familiares estejam atentos, não apenas para o diagnóstico precoce, mas também para ações preventivas e campanhas de conscientização que combatam o mito de que o cigarro eletrônico é inofensivo”, finaliza.

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