Eduardo Marques
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, protocolou nesta terça-feira (20) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para tornar públicos seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico dos últimos oito anos. A condição é que o adversário na disputa, o senador Flávio Bolsonaro (PL), faça o mesmo. A mesma manifestação foi levada ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A petição foi sorteada para o ministro André Mendonça, que será o relator do caso. A defesa de Lula propõe que os dados dos dois candidatos sejam divulgados antes da próxima quarta-feira (21), seja pelo sistema Divulga CandContas, da Justiça Eleitoral, ou por outro site de acesso público. Para os advogados, a medida é fundamental para que a população esteja bem informada na hora de escolher em quem votar.
Em entrevista em São Luís (MA), Lula defendeu a iniciativa e provocou o rival. “Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão nesse país, quem é corrupto. Vamos ver se ele tem coragem de abrir a vida secreta dele”, disse.
O desafio havia sido lançado por Lula no debate da Band, no domingo (18), e repetido na segunda-feira (19), em Porto Alegre (RS). Na ocasião, Flávio afirmou não ter “absolutamente nada a esconder”, mas não disse se autorizaria a quebra do próprio sigilo.
A liberação proposta por Lula inclui parentes e empresas. Pelo lado do petista, entram a esposa, Janja, e os cinco filhos: Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís (o Lulinha, alvo de investigações da Polícia Federal), Sandro Luís e Luís Claudio. Os filhos já declararam concordar com a medida, e a defesa anexou à petição, na tarde desta terça, procuração dos familiares autorizando a quebra. Entre as empresas, está a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., da qual Lula é sócio sem função de administrador.
Em contrapartida, o petista pede que Flávio autorize a abertura dos dados do pai, Jair Bolsonaro, da mãe, Rogéria, dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan, e da esposa, Fernanda. Também constam da lista empresas ligadas ao senador, como a Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, a All In One Corretora de Seguros, a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação e a Bolsonaro Digital. Soma-se a elas a Alcazar Holdings, de propriedade do advogado Willer Tomaz.
A inclusão da Alcazar tem relação direta com um dos inquéritos que Flávio enfrenta no STF. Reportagens apontam que o senador foi cadastrado como “usuário master” em uma conta da empresa, e Tomaz é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. O termo foi usado de forma irônica pela defesa de Lula na petição. O outro inquérito apura o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, com possível uso de recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A defesa de Flávio nega irregularidades, afirma que não há envolvimento em ilícitos e critica a divulgação de peças sigilosas durante o período eleitoral.
O secretário da campanha petista, Éden Valadares, disse que a proposta tem respaldo na Constituição, que valoriza a probidade administrativa, a moralidade e a análise da vida pregressa de quem disputa mandatos. “Lula toma uma iniciativa histórica, que risca no chão a diferença dos candidatos, dando transparência a todo o seu sigilo e desafia o adversário a fazer o mesmo. Quem não deve, não teme”, afirmou.
Com informações do g1



