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“Não vou aceitar o Senado como gaveta”, diz Mendanha sobre caso Moraes-Vorcaro

Em meio à crise institucional, candidato defende apuração rigorosa dentro dos limites constitucionais

Eduardo Marques

O episódio que expôs trocas de mensagens entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ganhou nesta semana um novo capítulo na disputa eleitoral em Goiás. Candidato ao Senado, Gustavo Medanha (PRD) divulgou, nesta quarta-feira (2), nota na qual classifica as informações como “graves” e cobra do Senado Federal uma postura “firme, responsável e ágil” diante do caso.

A crise ganhou força depois que o ministro André Mendonça, relator do processo no STF, derrubou o sigilo de um relatório de 218 páginas produzido pela Polícia Federal (PF) a partir da análise do celular de Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. O material traz mensagens em que o banqueiro — preso desde março, após ter sido solto e recapturado no Aeroporto Internacional de São Paulo — teria buscado Moraes para tentar conter o avanço das investigações contra o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro passado por suspeita de fraude bancária.

A repercussão foi imediata no Congresso. Na terça-feira (1º), ao menos nove senadores — entre eles Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Alessandro Vieira (MDB-SE), Carlos Viana (PSD-MG), Izalci Lucas (PL-DF), Damares Alves (Republicanos-DF) e Cleitinho (Republicanos-MG) — discursaram em Plenário defendendo o afastamento do ministro, por renúncia ou impeachment. Viana formalizou um pedido de crime de responsabilidade contra Moraes por suposta advocacia administrativa, e o número de petições de impeachment protocoladas contra o ministro já passa de uma centena.

É nesse cenário que se insere a manifestação do ex-prefeito de Aparecida de Goiânia. Na nota, ele defende que a apuração dos fatos siga o rito previsto na Constituição, sem antecipar julgamentos: “Não se trata de antecipar condenações nem de promover julgamentos políticos. Trata-se de apurar o que aconteceu e permitir que os mecanismos previstos na Constituição funcionem.” Segundo ele, compete ao Senado — nos termos do artigo 52, inciso II, da Constituição — processar e julgar ministros do STF em casos de crime de responsabilidade, e a inércia da Casa, argumenta, tem custo institucional: “A ausência de respostas desgasta o Supremo Tribunal Federal, enfraquece o próprio Senado e aumenta a desconfiança da população nas instituições”, afirma Mendanha.

O candidato reconhece que o desfecho pode não vir a tempo. Caso o caso siga sem solução até fevereiro de 2027 — início da próxima legislatura — e ele seja eleito pelos goianos, promete atuar imediatamente para que os fatos sejam analisados: “Vou trabalhar desde o primeiro dia para que os fatos sejam analisados e os procedimentos cabíveis avancem.” Ele condiciona seu voto à comprovação dos fatos, mas é categórico quanto à direção que tomaria caso isso ocorra: “Não aceitarei que o Senado seja usado como uma gaveta para proteger quem quer que seja. Se ficar demonstrada a prática de crime de responsabilidade, defenderei a abertura do processo e não hesitarei em votar pelo afastamento.”

A nota fecha com um apelo à igualdade perante a lei, tema que tem dominado o debate público desde a divulgação do relatório da PF: “Ministro do Supremo não está acima da Constituição, senador não pode se esconder atrás do cargo e nenhuma instituição está dispensada de prestar contas à sociedade. Se houver crime, tem que haver consequência. A lei precisa valer para todos, sem exceção.”

O gabinete do ministro Alexandre de Moraes e a defesa de Daniel Vorcaro ainda não se manifestaram sobre o conteúdo do relatório da Polícia Federal.

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