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“Não vamos nos deixar abalar”, diz sucessor de Andrei Rodrigues na PF

Diretor-executivo William Murad discursou no lugar de Andrei em curso de formação e reforçou confiança na direção-geral

Eduardo Marques

O diretor-executivo da Polícia Federal (PF), William Marcel Murad, afirmou nesta terça-feira (8) que a corporação não vai se deixar abalar por ataques, venham de onde vierem, e reafirmou total confiança na atual direção-geral da instituição. A declaração foi dada durante a abertura do LXIII Curso de Formação Profissional, na Academia Nacional de Polícia, em Brasília, poucas horas depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o afastamento preventivo do diretor-geral Andrei Rodrigues.

“Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vierem. E aqui reafirmamos, reafirmo, nossa total confiança no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, mas saberemos atravessar essa tempestade, como tantas vezes o fizemos”, disse Murad, segundo registrou a Globonews.

A manifestação ocorre no momento em que o próprio Murad deve assumir o comando da Polícia Federal após a efetivação do afastamento de Andrei.

Andrei tinha confirmado presença no evento, que reuniria cerca de 763 novos alunos, e chegou a se reunir com Murad na Academia Nacional de Polícia antes da cerimônia. Mas não apareceu no auditório depois que a decisão do afastamento veio a público, e o discurso de abertura acabou nas mãos do número dois da corporação.

Murad usou o momento para ir além da defesa pessoal do colega afastado. Ele disse que o trabalho da PF é conduzido de forma técnica, imparcial e livre de qualquer viés político, e afirmou que tentativas de desacreditar a instituição não encontram repercussão real, nem dentro da própria PF, nem perante a sociedade ou a imprensa.

Aos novos agentes, deixou um recado sobre o dever de defender a instituição de ataques e de tentativas de usurpação de suas atribuições.

A fala ocorre em meio a uma crise institucional que começou naquela mesma manhã. Mendonça determinou o afastamento preventivo não só de Andrei Rodrigues, mas também do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa, e mandou que a Corregedoria da corporação abra procedimentos para apurar as circunstâncias da produção de relatórios de inteligência sobre autoridades. A decisão já provocou reação de partidos e políticos e levou a Advocacia-Geral da União (AGU) a cogitar recorrer, sob o argumento de que houve violação de competência.

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