BrasilPolítica

Caso Ana Clara leva cobrança por justiça ao confronto entre Lula e Flávio

Mãe da menina morta aos 5 anos acompanha debate na Globo; atuação do senador na defesa do policial acusado e responsabilidade pelas apostas entram na disputa

A morte de Ana Clara Gomes Machado, aos 5 anos, coloca a atuação de Flávio Bolsonaro (PL) como advogado de um policial acusado de homicídio no centro da cobrança de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No terceiro bloco do debate da Globo, nesta sexta-feira (23), o caso divide espaço com o ataque do senador ao presidente, chamado por ele de “pai do Tigrinho”, em referência aos jogos de apostas on-line.

A discussão sobre Ana Clara tem uma presença concreta nos estúdios: Cristiane Gomes da Silva, mãe da criança, acompanha o encontro como convidada da campanha de Lula. Sua participação aproxima o confronto eleitoral de uma família que, mais de cinco anos após a morte da menina, ainda espera pelo julgamento do acusado.

Ana Clara é atingida por um disparo de fuzil em 2 de fevereiro de 2021, durante uma ação policial na comunidade de Monan Pequeno, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ela brinca perto de casa com o irmão, de 2 anos. Socorrida e levada ao Hospital Estadual Azevedo Lima, a criança não sobrevive.

Defesa no STJ

O cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli é acusado de efetuar o disparo. Flávio consta entre os advogados que recorrem ao Superior Tribunal de Justiça para tentar impedir que o policial seja submetido ao Tribunal do Júri. Em 2024, o pedido é rejeitado por três votos a dois.

Segundo reportagem publicada em 19 de outubro, Delaroli ainda não havia sido julgado pela morte de Ana Clara e negava que o disparo tivesse partido de sua arma. Essa situação exige distinguir a acusação criminal, que depende de julgamento, das críticas políticas dirigidas ao senador por sua atuação profissional.

Lula já havia questionado o adversário sobre o caso no debate da Band, em 18 de outubro. Naquele encontro, Flávio defendeu o exercício da advocacia e argumentou que o policial não poderia ser tratado como condenado antes do julgamento. A controvérsia passa, portanto, pela escolha de assumir a defesa e pela maneira como essa atuação é apresentada ao eleitor.

Para Cristiane, o assunto tem como prioridade a responsabilização pela morte da filha. Em entrevista à Agência Pública, após o debate da Band, ela critica a resposta do senador e relata ataques recebidos quando cobra justiça. A mãe também rejeita a interpretação de que sua manifestação tenha como único objetivo prejudicar um candidato.

Apostas no confronto

Em outra frente do terceiro bloco, Flávio utiliza a expressão “pai do Tigrinho” para associar Lula aos cassinos virtuais. O ataque retoma uma linha já explorada pelo candidato durante a campanha, mas envolve uma trajetória legislativa que não começa no atual governo.

A autorização das apostas esportivas de quota fixa ocorre em dezembro de 2018, com a sanção da Lei nº 13.756 por Michel Temer. Nessa modalidade, o participante sabe, ao apostar, quanto poderá receber se acertar o resultado. A legislação estabelece prazo para que o governo federal regulamente o funcionamento do mercado.

Esse prazo termina em dezembro de 2022, durante a gestão Jair Bolsonaro, sem a publicação das regras previstas. Assim, a responsabilidade daquele governo está na ausência de regulamentação dentro do período estabelecido, e não na assinatura da autorização inicial.

Em dezembro de 2023, Lula sanciona a Lei nº 14.790, após aprovação do Congresso Nacional. O texto estabelece regras para o setor e inclui os jogos on-line no marco legal. Essa etapa alcança modalidades diferentes das apostas em resultados esportivos, entre elas os jogos de cassino virtual.

Responsabilidades distintas

A discussão reúne duas cobranças de naturezas diferentes. No caso Ana Clara, estão em debate a espera por julgamento e a atuação de Flávio na defesa do acusado. Nas apostas, a disputa envolve decisões legislativas e administrativas tomadas ao longo de três governos.

A distinção permite avaliar os ataques sem transformar a atuação de um advogado em participação no crime ou atribuir toda a trajetória das bets a um único presidente. A presença de Cristiane nos estúdios também recorda que, além da repercussão eleitoral, permanece uma família à espera de resposta da Justiça.

Fernanda Cappellesso

Olá! Sou uma jornalista com 20 anos de experiência, apaixonada pelo poder transformador da comunicação. Atuando como publicitária e assessora de imprensa, tenho dedicado minha carreira a conectar histórias e pessoas, abordando temas que vão desde política e cultura até o fascinante mundo do turismo.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo