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Debate da Globo tem ataque aos “nove dedos” de Lula, troca de acusações e embate sobre economia

Flávio Bolsonaro faz referência ao acidente de trabalho do presidente; Lula questiona trajetória do adversário, e discussão sobre salário mínimo, impostos e programas sociais marca confronto antes do segundo turno

O último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026, realizado pela TV Globo na noite desta sexta-feira (23), foi marcado por ataques pessoais, críticas à política econômica e divergências sobre programas sociais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram um confronto que passou por salário mínimo, custo de vida, transporte público e desenvolvimento regional.

Um dos episódios ocorreu ainda no primeiro bloco, quando Flávio Bolsonaro fez referência ao dedo amputado de Lula durante uma discussão sobre o poder de compra da população. O senador afirmou que o governo concede benefícios aos trabalhadores, mas retira parte do dinheiro por meio de impostos.

“Não adianta nada o salário mínimo de R$ 1,6 mil se você dá com uma mão e tira com os nove dedos”, declarou Flávio. A frase fez referência ao acidente de trabalho sofrido por Lula em 1964, quando perdeu o dedo mínimo da mão esquerda enquanto trabalhava como torneiro mecânico.

Lula questiona experiência do adversário

O presidente também recorreu à trajetória pessoal para confrontar Flávio Bolsonaro. Lula questionou a experiência profissional do senador e procurou estabelecer diferenças entre sua origem operária e a carreira política do adversário.

A crítica de que Flávio nunca trabalhou apareceu nos confrontos entre os candidatos ao longo da campanha. No debate da Band, realizado em 18 de outubro, Lula já havia afirmado que o senador desconhecia a realidade dos trabalhadores e dos usuários do transporte público.

A expressão “granfino que nunca trabalhou”, atribuída ao presidente durante o encontro da Globo, ainda depende de confirmação literal na gravação do programa. Flávio exerceu mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro e ocupa uma cadeira no Senado desde 2019.

Salário mínimo e impostos dividem candidatos

A economia ocupou parte importante do confronto. Lula defendeu a política de valorização do salário mínimo adotada durante os governos petistas e argumentou que os reajustes contribuíram para elevar a renda dos trabalhadores.

Flávio rebateu com críticas à inflação, aos impostos e ao custo de vida. O senador questionou se o salário dos brasileiros chegava até o fim do mês, utilizando o dia 23 como referência para abordar as dificuldades financeiras das famílias.

O debate também incluiu a proposta de transporte público gratuito aos fins de semana. Lula defendeu a iniciativa, enquanto Flávio manifestou concordância com a gratuidade, apesar das críticas anteriores ao projeto.

Programas sociais e regiões entram na disputa

Além da economia doméstica, os candidatos discutiram agronegócio, infraestrutura, meio ambiente, enchentes e Bolsa Família.

Flávio Bolsonaro defendeu medidas relacionadas ao saneamento, à conectividade e à infraestrutura. Também prometeu manter o Bolsa Família para beneficiários que conseguissem emprego. A legislação do programa já permite a permanência temporária de famílias cuja renda aumente, conforme critérios específicos.

Lula destacou realizações de seus governos, especialmente no Nordeste, e utilizou os programas sociais como argumento para defender a continuidade de sua administração.

No Centro-Oeste, região da qual Goiás faz parte, os debates sobre produção agropecuária e infraestrutura ganharam espaço diante da importância econômica do agronegócio.

Eleição será decidida no domingo

O debate aconteceu em um cenário de disputa eleitoral apertada. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%.

A diferença foi de 1,87 ponto percentual. A abstenção atingiu 21,07%, aproximadamente 33,4 milhões de eleitores, número que evidencia o tamanho do eleitorado que não compareceu às urnas na primeira etapa da votação

O encontro, mediado por César Tralli, foi dividido em quatro blocos. A Globo estabeleceu restrições à movimentação dos candidatos enquanto o adversário estivesse falando, depois de reclamações sobre o comportamento dos participantes no debate anterior, realizado pela Band.

Com a votação marcada para domingo, 25 de outubro, os eleitores terão a última oportunidade de escolher entre os dois candidatos. O resultado definirá quem ocupará a Presidência da República a partir de janeiro de 2027.

Fernanda Cappellesso

Olá! Sou uma jornalista com 20 anos de experiência, apaixonada pelo poder transformador da comunicação. Atuando como publicitária e assessora de imprensa, tenho dedicado minha carreira a conectar histórias e pessoas, abordando temas que vão desde política e cultura até o fascinante mundo do turismo.

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