Eduardo Marques
As motocicletas estão no centro da maioria dos atendimentos a vítimas de trânsito no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol). Levantamento do Diário de Aparecida, com base nas informações da unidade hospitalar, de janeiro a setembro de 2026, foram 3.453 pessoas atendidas, ante 3.042 no mesmo período de 2025, alta de cerca de 13,5%.
No total, o hospital recebeu 4.762 vítimas de trânsito, contra 4.224 um ano antes, aumento de aproximadamente 12,7%. Pelos cálculos desta reportagem, as motos respondem por cerca de 72% dos casos. Os demais acidentes subiram de 1.182 para 1.309 atendimentos, crescimento de 10,7%, menor que o das ocorrências com motos.
Em 2025 inteiro, o Hugol atendeu 5.753 vítimas de trânsito, sendo 4.108 ligadas a motocicletas.
Por que o risco é maior
Sem a proteção de uma carroceria, o motociclista fica mais exposto a lesões graves em quedas e colisões. Segundo o hospital, o perigo cresce com excesso de velocidade, desrespeito à sinalização e falta de equipamentos de proteção.
A gerente médica de Urgência e Emergência do Hugol, Rayza Santos Pires, afirma que esses acidentes podem causar “múltiplas fraturas, traumatismo cranioencefálico, lesões no tórax e no abdômen e hemorragias internas”. Em muitos casos, o paciente precisa de atendimento imediato e do trabalho conjunto de várias equipes.
“A prevenção é fundamental para reduzir esses riscos e evitar que famílias sejam impactadas por ocorrências que poderiam ser evitadas”, diz a médica.
Alertas do hospital
O Hugol aponta três comportamentos que reduzem a capacidade de reação e aumentam o risco de colisões. O primeiro é o uso do celular ao volante, que tira a atenção do condutor e atrasa a percepção de obstáculos e pedestres. Por isso, o hospital orienta manter o aparelho fora do alcance e só usá-lo com o veículo parado em local seguro.
O segundo é a combinação de álcool e direção. A bebida prejudica os reflexos, a coordenação motora e a percepção de risco, e quem bebe não deve dirigir. A recomendação é planejar o deslocamento com antecedência, escolher um motorista que não tenha bebido ou recorrer a um transporte alternativo.
O terceiro é o excesso de velocidade. Quanto mais rápido o veículo, menor o tempo para reagir a imprevistos e mais graves as consequências de uma batida. Para evitar esse risco, é essencial respeitar o limite de cada via, manter distância segura dos outros veículos e ajustar a condução às condições da pista e do clima.
Para quem pilota, o hospital reforça ainda a importância do capacete bem afivelado, dos equipamentos de proteção e de uma condução defensiva.
Atenção nos feriados
Em feriados prolongados, o movimento nas estradas e nas cidades aumenta. Antes de viajar, o hospital recomenda revisar o veículo e descansar. Na estrada, é preciso usar cinto de segurança, respeitar a sinalização, evitar ultrapassagens arriscadas e acomodar as crianças em dispositivos adequados à idade e à altura.
Referência em urgência e emergência em Goiás, o Hugol ressalta que a segurança no trânsito depende de escolhas individuais e da responsabilidade coletiva.



