Goiânia consolida protagonismo metropolitano e projeta novo ciclo de desenvolvimento aos 93 anos
Com mais de 1,5 milhão de habitantes, capital reúne economia diversificada, mercado imobiliário dinâmico e serviços especializados, além de exercer crescente influência regional e atrair moradores de diferentes partes do país
Goiânia chega aos 93 anos com dimensões que vão muito além de suas avenidas e bairros. A capital planejada para ser sede administrativa de Goiás tornou-se o principal centro urbano do Centro-Oeste, com concentração de oportunidades, serviços especializados e atividades econômicas que atraem, diariamente, pessoas de diferentes regiões. A cidade cresce, diversifica-se e transforma sua paisagem, enquanto precisa preparar o futuro sem perder qualidade de vida.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade possui 1.511.709 habitantes; no Censo de 2022, eram 1.437.366 moradores. A diferença de 74.343 pessoas, equivalente a um crescimento populacional de 5,2%, dá uma noção do quanto a cidade é atrativa.
Em números exatos, são 729,3 quilômetros quadrados de território municipal. A influência goianiense, porém, não termina nos limites administrativos. A Região Metropolitana de Goiânia reúne 21 municípios e soma 2,53 milhões de habitantes. Para além dos números, no cotidiano que a vida real impõe, moradia, trabalho, consumo e deslocamentos formam uma rede integrada, que exige soluções conjuntas para mobilidade, saneamento, habitação e acesso aos serviços públicos.
Diversificação da estrutura produtiva impulsiona dinâmica urbana
Em dezembro de 2025, o Instituto Mauro Borges divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) municipal alcançou R$ 75,8 bilhões em 2023. Vale explicar que, como o cálculo oficial do PIB por município leva tempo para reunir informações detalhadas das empresas e dos impostos locais, há sempre uma defasagem padrão de dois anos.
Nesse contexto, o setor de serviços ocupa posição central nessa estrutura, ao lado do comércio, da construção civil e de atividades industriais. Saúde, educação, tecnologia, finanças e serviços empresariais ampliam a capacidade da capital de gerar renda e atender consumidores de Goiás e de outros estados.
No mercado de trabalho formal, os dados municipais de Goiânia apontam que os serviços respondem por 46,6% dos 745.000 vínculos registrados, enquanto o comércio concentra 32,8%. A diversidade de atividades aparece também no varejo de bairro, nos shopping centers, nas distribuidoras e na Região da 44, importante polo de moda e confecção.
A construção civil acompanha essa dinâmica. No primeiro semestre de 2026, Goiânia comercializou 7.219 unidades residenciais, segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica divulgado pela Ademi-GO. O volume representou crescimento de 42% em relação ao mesmo período de 2025, desempenho muito superior à expansão nacional de 5,4%. O resultado confirma o vigor do setor, mas também coloca em evidência questões como preço da moradia, infraestrutura e distribuição territorial dos empreendimentos.
Regulamentação, recuperação viária e investimentos públicos potencializam ordenamento
O desafio de uma metrópole não é apenas atrair investimentos, mas garantir que a expansão seja acompanhada de estrutura urbana. Na gestão Sandro Mabel, a regulamentação do Plano Urbanístico Básico estabelece critérios para analisar grandes áreas destinadas à ocupação, com atenção ao sistema viário, à infraestrutura, aos espaços públicos e à conexão com os bairros existentes. O instrumento busca evitar que novos empreendimentos avancem sem integração com a cidade.
“O Plano Urbanístico Básico é fundamental para garantir previsibilidade e um crescimento ordenado de Goiânia. Nós não queremos mais ver grandes bairros surgindo sem que haja o planejamento antecipado das vias, da rede de drenagem e do espaço para as escolas e postos de saúde. O papel do município é preparar o futuro, evitando o estrangulamento da cidade e integrando de verdade os novos empreendimentos à malha urbana que já existe”, disse o prefeito, durante a assinatura do decreto de regulamentação do PUB, em agosto de 2026.
Na mobilidade, a metronização do transporte coletivo utiliza tecnologia para priorizar a circulação dos ônibus em cruzamentos, com o objetivo de reduzir paradas e melhorar a fluidez. Na infraestrutura viária, o Programa Asfalto Novo alcançou 500 quilômetros de ruas e avenidas recuperadas em agosto de 2026, com meta de chegar a 800 quilômetros até o fim da gestão. São intervenções que precisam acompanhar a expansão dos deslocamentos e a crescente integração entre a capital e os municípios vizinhos.
Saúde e educação também fazem parte dessa equação. A gestão municipal anunciou a construção de novas unidades básicas de saúde e registrou a ampliação de vagas na rede de ensino, além de investimentos em estrutura e tecnologia. O desafio permanente é transformar essas iniciativas em atendimento acessível, com capacidade suficiente para responder às necessidades de uma população numerosa e heterogênea.
Aos 93 anos, Goiânia combina dinamismo econômico, diversidade de serviços e potencial de expansão. O próximo capítulo depende da capacidade de conciliar desenvolvimento imobiliário, geração de empregos, mobilidade eficiente e infraestrutura. Afinal, uma cidade forte não se mede apenas pelo tamanho de sua economia ou pela altura de seus edifícios, mas também pelas oportunidades que oferece e pela qualidade de vida que consegue garantir a quem a escolhe para viver.
Luciana Brites



