Trump sofre derrota nas urnas e perde controle do Congresso americano
Democratas conquistam Câmara e Senado, avançam em estados republicanos e impõem novo cenário político ao presidente dos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu uma derrota política nas eleições legislativas realizadas nesta terça-feira (3). O Partido Democrata conquistou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, encerrando a maioria republicana nas duas Casas. O resultado altera a relação de forças em Washington e estabelece obstáculos à agenda presidencial nos dois últimos anos de mandato.
Antes da votação, os republicanos controlavam o Senado por 53 cadeiras a 47, consideradas as alianças dos independentes, e mantinham vantagem de 218 a 214 na Câmara, com três vagas abertas. Os democratas precisavam conquistar quatro assentos adicionais em cada Casa para inverter o comando do Legislativo. A mudança foi confirmada pelas projeções eleitorais divulgadas durante a madrugada desta quarta-feira (4).
A derrota ultrapassou os estados tradicionalmente disputados. No Texas, onde os republicanos venceram sucessivas eleições durante décadas, o democrata James Talarico conquistou uma vaga no Senado. No Kansas, Adam Hamilton tornou-se o primeiro democrata eleito senador pelo estado desde 1932. Também houve vitórias democratas em Ohio, Carolina do Norte e Carolina do Sul.
O custo de vida, a inflação percebida pelas famílias e a guerra contra o Irã estiveram entre os principais assuntos da campanha. Segundo a Reuters e a Associated Press, a insatisfação com os preços e com a condução do governo contribuiu para a mudança do comportamento eleitoral, inclusive em regiões que haviam apoiado Trump na eleição presidencial de 2024.
Apesar do resultado, Trump permanece na Presidência até janeiro de 2029. A nova composição do Congresso, entretanto, amplia o poder de fiscalização da oposição e dificulta a aprovação de propostas relacionadas a impostos, orçamento, imigração e outras prioridades do governo. Os democratas também poderão conduzir investigações parlamentares e questionar indicações presidenciais submetidas ao Senado.
Em entrevista ao jornal The New York Times, Trump declarou disposição para aceitar os resultados e negociar com os democratas. A mudança de maioria, porém, estabelece um cenário de divisão entre o Executivo republicano e um Legislativo controlado pela oposição.
Derrota muda equilíbrio de poder e pode atingir economia mundial
A eleição de meio de mandato, conhecida como midterm, ocorre dois anos depois da disputa presidencial. Os americanos renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço do Senado, além de escolher governadores e autoridades estaduais.
Historicamente, essas eleições funcionam como um teste da administração federal. Em 2018, no primeiro mandato de Trump, os democratas também conquistaram a Câmara, enquanto os republicanos conservaram o Senado. Em 2026, a oposição alcançou as duas Casas, ampliando sua capacidade de interferência na agenda presidencial.
A mudança repercute além das fronteiras americanas. O Congresso participa das decisões sobre orçamento, comércio, tributação e política externa. Para o Brasil, as negociações entre Executivo e Legislativo dos Estados Unidos poderão influenciar discussões comerciais, tarifas, investimentos e relações diplomáticas.
O resultado não significa a saída de Trump do poder, mas reduz sua margem de negociação legislativa. A partir de janeiro de 2027, quando os parlamentares eleitos assumem seus mandatos, o presidente terá de negociar com uma oposição que passou a controlar as duas Casas do Congresso.



