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Lula e advogada de Flávio assinam no TSE petição para abrir sigilos “de forma total e simultânea”

Sigilo da Alcazar Holding, ligada ao advogado Willer Thomaz, foi ponto de discordância que atrasou o acordo

Eduardo Marques

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a advogada do senador Flávio Bolsonaro (PL), a ex-ministra Maria Claudia Bucchianeri, assinaram nesta quinta-feira (22), na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma petição em que aceitam a quebra dos respectivos sigilos, além dos de familiares e de empresas associadas. O documento foi oficializado após reunião entre as duas campanhas e integrantes da Corte, pela manhã, e depois de a campanha petista sinalizar que aceitaria as exigências feitas por Flávio.

No trecho inicial da petição, os candidatos informam que “aceitaram integralmente os termos recíprocos do desafio” e autorizam “a abertura total e simultânea dos respectivos sigilos com a divulgação dos dados em sítio eletrônico público”. O texto foi elaborado pela campanha de Lula. O presidente assinou de forma digital, e Bucchianeri assinou com procuração de Flávio.

Pelo acordo, depois de recebidas as procurações pendentes, caberá ao ministro André Mendonça, relator do pedido, requisitar os dados ao Banco Central, às instituições financeiras, à Receita Federal e às operadoras de telefonia. Quando os órgãos e as empresas enviarem as informações, o material será divulgado ao mesmo tempo no site público.

As procurações deverão ser entregues até as 23h59 desta quinta. Elas são necessárias porque nem Lula nem Flávio podem consentir com a quebra de sigilo em nome de outras pessoas. Uma das pendentes é a da Alcazar Holding, empresa do advogado Willer Thomaz investigada em inquérito sobre lavagem de dinheiro. A Polícia Federal suspeita que Flávio era sócio de Thomaz no negócio. Segundo a campanha de Lula, a quebra do sigilo dessa empresa foi um ponto de discordância que atrasou a assinatura.

A equipe de Lula chegou ao TSE por volta das 11h, com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o senador Camilo Santana (PT-CE), os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Paulo Pereira (Empreendedorismo) e a deputada reeleita Camila Jara (PT-MS). Pouco depois, chegaram Bucchianeri e o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), que representavam a campanha de Flávio. Na chegada, eles disseram que pretendiam analisar a “completude” do material de Lula antes de apresentar o do candidato do PL.

Após a assinatura, Dallagnol criticou o fato de o material de Lula ainda não estar disponível para análise. Aliados do petista, por sua vez, reclamaram da demora de Flávio em aceitar o desafio.

A três dias do segundo turno, o “desafio dos sigilos” ocupa o centro da campanha presidencial. Lula o lançou no debate da Band, no domingo (18). Na terça (20), apresentou ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma autorização para abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de seus familiares dos últimos oito anos, desde que o adversário fizesse o mesmo.

Em petição ao TSE na quarta (21), dirigida a Mendonça, Flávio chamou a oferta de “gaveta vazia” e afirmou que o patrimônio do rival não está em seu nome, mas no de terceiros. Ao impor uma série de condições, autorizou o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos e dos de empresas das quais é sócio ou administrador. Disse ainda não se opor à abertura das mensagens que trocou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Entre as exigências, o candidato do PL pediu a abertura dos sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e documentos sobre as relações do governo com Vorcaro e com a lobista Roberta Luchsinger, investigada no caso INSS. Cobrou também os gastos do cartão corporativo da Presidência desde 2023, a agenda de Janja anterior a fevereiro de 2025, quando a primeira-dama passou a divulgá-la, e informações sobre visitas dos filhos do presidente ao Palácio da Alvorada, uso de helicóptero e despesas do palácio.

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