Brasil

Caso das bets ganha novos números e pressiona Congresso

Dados apontam R$ 1,3 bilhão em apostas de Willer Tomaz em 2026; advogado nega irregularidades e Flávio afirma relação de amizade

Por Fernanda Cappellesso

 

As apostas do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL), somam cerca de R$ 1,3 bilhão em 2026, segundo dados publicados na quinta-feira (22) pela Folha de S.Paulo. A revelação acrescenta valores ao caso investigado pela Polícia Federal, enquanto governistas buscam apoio no Congresso para uma comissão sobre suas relações com o candidato à Presidência.

O volume acumulado desde 2025 chega a R$ 6,33 bilhões. O número reúne apostas sucessivas, inclusive com reaplicação de prêmios, e não corresponde integralmente a dinheiro novo depositado. Para o período analisado, a defesa informa depósitos de R$ 326 milhões e retiradas de R$ 234 milhões.

Tomaz afirma que os recursos têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e constam das declarações à Receita Federal. Sustenta que apostas repetidas com o mesmo dinheiro explicam os valores elevados. A investigação examina suspeitas; os números divulgados não representam condenação criminal.

Na terça-feira (20), Flávio pediu ao ministro Alexandre de Moraes acesso à investigação que embasou uma operação contra o advogado. O requerimento busca conhecer a representação na qual o senador aparece citado. O candidato afirma que sua relação com Tomaz é de amizade.

A PF examina uma rede de empresas, instituições de pagamento e plataformas de apostas vinculadas ao advogado. Os investigadores buscam esclarecer a origem e o destino das movimentações e suspeitam de operações simuladas. A menção ao senador nas provas levou o caso ao Supremo Tribunal Federal.

A campanha de Flávio contesta seu enquadramento como investigado no STF. Afirma que faltam manifestação da Procuradoria-Geral da República e decisão judicial para converter os autos em inquérito contra ele. 

Fiscalização

A Secretaria de Prêmios e Apostas abriu processo administrativo para examinar falhas da Blaze nos controles contra lavagem de dinheiro. Uma nota técnica do Ministério da Fazenda registra operações de grande valor em intervalos curtos e questiona o tratamento dispensado ao cliente.

Entre os exemplos estão 14 depósitos de R$ 500 mil em um dia de outubro de 2025, total de R$ 7 milhões. No dia seguinte, constam 12 saques de R$ 500 mil em 18 minutos. No total, os saques desse intervalo alcançam R$ 6 milhões, segundo documento. Tomaz nega ferramentas automatizadas e fracionamento para contornar controles.

A Foggo Entertainment, responsável pela Blaze no Brasil, afirma cumprir a legislação e manter políticas de prevenção à lavagem de dinheiro, monitoramento de transações e comunicação de operações atípicas. A apuração administrativa sobre a plataforma é distinta da investigação policial sobre as movimentações. 

Governistas buscam assinaturas para CPMI 

Lideranças governistas articulam uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. Em 20 de outubro, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, informou 100 assinaturas: 85 deputados e 15 senadores. Não há atualização confirmada dessa contagem neste fechamento.

O requerimento precisa de pelo menos 171 deputados e 27 senadores. A proposta prevê 16 representantes de cada Casa e funcionamento por 180 dias. A coleta de assinaturas não significa instalação da comissão.

Uczai cobra apoio da oposição e afirma que governistas também apoiam uma comissão sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Roberta Luchsinger. A articulação não antecipa conclusões sobre responsabilidades.

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