Goiânia chega aos 93 anos neste sábado (24) com uma história que também passou pelas passarelas. A capital consolidou um dos principais polos de confecção e comércio de roupas do Brasil, atraiu compradores de diferentes estados e construiu um mercado que vai além da produção de peças para o atacado. Nesse processo, os eventos de moda passaram a representar uma oportunidade de apresentar coleções, ampliar negócios e divulgar o trabalho de estilistas goianos.
Uma das iniciativas que acompanharam essa transformação foi a Goiânia Fashion Week, criada para inserir a capital no circuito nacional da moda. Durante os primeiros anos, o evento apostou na presença de celebridades para atrair público e ampliar a divulgação das marcas participantes.
Em 2011, nomes como Mariana Rios, Karina Bacchi, Paolla Oliveira e Joaquim Lopes participaram dos desfiles. A estratégia aproximava o mercado regional do entretenimento e de tendências que circulavam nas principais capitais brasileiras.
Das celebridades às marcas goianas
A transformação das passarelas acompanhou mudanças no próprio setor. O crescimento das redes sociais, o fortalecimento do comércio digital e a ampliação das marcas independentes alteraram a maneira como as coleções passaram a ser divulgadas.
Em 2018, a então Goiânia Fashion Week chegou à 13ª edição com mais de 60 marcas locais e nacionais. Realizado no Império Boulevard, o evento reuniu moda adulta e infantil, além de participações de Helen Ganzarolli, Guilherme Leicam e Breno Simões.
A interrupção provocada pela pandemia, em 2020 e 2021, marcou outra etapa dessa trajetória. No retorno, em 2022, a semana de moda deixou de carregar apenas o nome da capital e passou a se chamar Goiás Fashion Week.
A mudança ampliou a identidade regional do evento. Naquele ano, o Centro Cultural Oscar Niemeyer recebeu desfiles e atividades de formação, incluindo uma palestra do estilista Ronaldo Fraga e coleções desenvolvidas por estudantes de Design de Moda da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Região da 44 sustenta parte da economia da moda
A expansão das semanas de moda ocorreu paralelamente ao crescimento da Região da 44, em Goiânia, que concentra galerias, lojas, fabricantes e distribuidores de roupas.
O polo recebe compradores de diferentes regiões do país e movimenta atividades que ultrapassam a indústria de confecção, como transporte, alimentação, hospedagem e logística.
Segundo dados divulgados pelo Governo de Goiás em 2025, o complexo movimenta aproximadamente R$ 15 bilhões por ano, com a comercialização de cerca de 280 milhões de peças produzidas em 30 municípios goianos.
A dimensão econômica do setor também evidencia o desafio de ampliar a participação da produção autoral. Enquanto o atacado trabalha principalmente com volume e preço, estilistas e marcas independentes buscam espaço por meio de identidade própria, desenvolvimento de coleções e diferenciação dos produtos.
Passarelas também ocuparam o Serra Dourada
Em 2023, a Goiás Fashion Week realizou sua 16ª edição no estádio Serra Dourada, justamente no dia do aniversário da capital.
Com o tema “Pela Paz”, reuniu mais de 40 marcas e 150 modelos. A escolha do estádio representou mais uma mudança na ocupação de espaços públicos e equipamentos culturais pela moda.
Ao longo da trajetória, o evento também passou a integrar o calendário cívico, cultural e turístico de Goiás.
Setor chega a uma nova etapa em 2026
Neste ano, a Goiás Fashion Week alcança a 21ª edição, marcada para terça-feira (27) e quarta-feira (28), no Espaço JL Eventos, na Vila Rezende.
A programação terá 17 marcas e o tema “Consciência Coletiva”. Os desfiles começarão às 20h, com acesso mediante convite e doação de dois quilos de alimentos não perecíveis.
A edição reduzida contrasta com as grandes produções de anos anteriores e reflete uma fase em que os eventos procuram combinar apresentação comercial, posicionamento de marca e experiências direcionadas ao público.
Mais do que a mudança de nome ou de formato, a trajetória das passarelas acompanha a transformação econômica de Goiânia. Aos 93 anos, a capital reúne uma cadeia produtiva que envolve confecções, comércio atacadista, profissionais de criação e marcas que buscam reconhecimento além das fronteiras de Goiás.


